Sua concorrĂȘncia deixou deser local. O que aprendemos na live com Luiz, da Glober
- Carolina de Paula
- hĂĄ 30 minutos
- 4 min de leitura
Recap da live de 27 de julho, conduzida por Luiz Pimentel, cofundador da Globerr

Durante muito tempo, empresas brasileiras competiam apenas entre si. Isso mudou. Uma indĂșstria chinesa mais madura vende cada vez mais direto ao consumidor final, e o acordo entre Mercosul e UniĂŁo Europeia deve baratear produtos europeus no Brasil nos prĂłximos anos. A concorrĂȘncia que antes era local hoje Ă© global â e a pergunta deixou de ser "devo exportar?" para virar "como eu participo desse mercado?"
Foi esse o pano de fundo da nossa live de 27 de julho, conduzida por Luiz Pimentel, cofundador da Globerr. Reunimos aqui os pontos mais relevantes da conversa, com um pouco mais de contexto sobre a plataforma e o cenĂĄrio do e-commerce internacional.
O consumidor jĂĄ compra do mundo inteiro
O chamado cross-border e-commerce â quando um consumidor compra diretamente de uma empresa localizada em outro paĂs â deixou de ser exceção. Pesquisas do setor mostram que a maioria dos consumidores internacionais jĂĄ enxerga comprar de outro paĂs como parte normal da rotina, e o volume global movimentado por esse tipo de comĂ©rcio jĂĄ soma trilhĂ”es de dĂłlares por ano. O Brasil estĂĄ dentro dessa curva: assim como o consumidor brasileiro compra cada vez mais de fora, consumidores nos Estados Unidos, na Europa e na AustrĂĄlia compram cada vez mais de marcas brasileiras â quando essas marcas estĂŁo presentes para serem encontradas.
O que Ă© a Globerr
A Globerr Ă© uma plataforma voltada a acelerar a exportação de pequenas e mĂ©dias empresas, conectando cada loja a uma ampla rede de marketplaces internacionais â como Amazon, Walmart e Target â em um Ășnico painel. A proposta Ă© reduzir as barreiras que tradicionalmente afastavam empresas menores do comĂ©rcio internacional: tradução e atendimento em outros idiomas, meios de pagamento locais, documentação de exportação e frete cross-border jĂĄ vĂȘm resolvidos dentro da prĂłpria plataforma.
Na prĂĄtica, isso significa que uma empresa nĂŁo precisa montar uma operação internacional do zero para começar a vender fora â ela se conecta a uma estrutura que jĂĄ existe.
Casos reais: do parafuso ao açaĂ
Luiz trouxe exemplos concretos de empresas que jĂĄ vendem fora usando essa estrutura:
Esforplast
ReferĂȘncia em buchas para drywall, com 39 anos de histĂłria. Hoje exporta para 11 paĂses, tem certificaçÔes de qualidade e vende tambĂ©m pela Amazon â beneficiada por um mercado americano onde a construção em drywall Ă© predominante.
IB
Marca de biquĂnis de FlorianĂłpolis que conquistou espaço internacional apostando na percepção de qualidade do biquĂni brasileiro â hoje vende para mais de 12 paĂses, incluindo mercados na AmĂ©rica Central e na Europa que nĂŁo estavam no plano inicial.
Açaà Glee
De Juiz de Fora, vende açaĂ lĂquido (nĂŁo sorbet) com validade de seis meses, hoje distribuĂdo para mais de 15 paĂses. Como o produto tem baixo valor unitĂĄrio, a saĂda encontrada foi vender em packs de 12, 24 e 48 unidades â o que resolveu o problema do frete desproporcional ao valor da mercadoria.
O caso do AçaĂ Glee guarda a lição mais interessante do encontro. Um cliente na AustrĂĄlia comprou, a princĂpio, um Ășnico pack de 12 unidades â sĂł para experimentar. Ele era dono de uma distribuidora, compartilhou o produto com a equipe, todos aprovaram, e o pedido seguinte jĂĄ foi de dois pallets para testar o mercado. Hoje, esse cliente estĂĄ embarcando o segundo contĂȘiner.
A lição: uma pequena venda ao consumidor final pode ser exatamente a porta de entrada para um grande comprador internacional. Descartar um produto por ter baixo valor agregado é, muitas vezes, descartar a prova de mercado que abriria a porta certa.
LogĂstica: menos barreira do que parece
Mais de 90% dos envios internacionais citados por Luiz acontecem por transporte aĂ©reo, com entrega em atĂ© sete dias para praticamente qualquer destino do mundo â com rastreamento de ponta a ponta, do Brasil atĂ© o cliente final. Luiz contou que, em Dubai, testou a precisĂŁo do sistema pedindo o envio de amostras para o hotel: a entrega estava prevista para as 20h da vĂ©spera de um evento, e a van chegou no horĂĄrio exato.
Para produtos de maior volume, a alternativa marĂtima segue disponĂvel. Em ambos os casos, transportadoras como FedEx, DHL e UPS, alĂ©m dos correios locais de cada paĂs, jĂĄ estĂŁo integradas Ă s plataformas de venda internacional â o que tira da pequena empresa o peso de negociar frete internacional sozinha.
Encontrar clientes: de mĂdia paga Ă prospecção B2B
Uma das dĂșvidas mais comuns de quem começa a exportar Ă© simples: como os clientes vĂŁo me encontrar? AlĂ©m da mĂdia paga tradicional, a inteligĂȘncia artificial vem eliminando a barreira do idioma â hoje Ă© possĂvel atender em inglĂȘs, espanhol, ĂĄrabe e outros idiomas com qualidade nativa. Plataformas como a Globerr tambĂ©m permitem prospecção ativa: a empresa informa segmento, tipo de comprador e paĂs de interesse, e recebe uma base de compradores B2B jĂĄ atualizada, sem precisar viajar atĂ© o mercado de destino.
Foi assim, por exemplo, que uma marca de biquĂnis que pretendia vender sĂł para os Estados Unidos passou a considerar tambĂ©m AmĂ©rica Central e Europa â mercados onde o biquĂni brasileiro tem uma percepção de valor ainda mais forte. Hoje, vende para mais de doze paĂses.
O que fica dessa conversa
Nenhum dos trĂȘs mitos que normalmente afastam uma empresa da exportação resistiu Ă conversa: produto chinĂȘs nĂŁo Ă© mais sinĂŽnimo de baixa qualidade, mas isso nĂŁo elimina espaço para quem tem um bom produto e uma boa estratĂ©gia; exportar nĂŁo Ă© privilĂ©gio de grande empresa â pequenas marcas competem em igualdade de condiçÔes porque, lĂĄ fora, praticamente todo mundo começa do zero; e a logĂstica internacional, hoje, Ă© mais confiĂĄvel do que muita entrega dentro do prĂłprio Brasil.
O risco, como ficou claro na live, nĂŁo estĂĄ em tentar vender para fora. EstĂĄ em ficar parado enquanto o resto do mundo jĂĄ compra.