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Comércio exterior: o que 2025 nos ensinou e como o Brasil deve se preparar para 2026

  • Foto do escritor: Sheyla Pereira
    Sheyla Pereira
  • 2 de jan.
  • 3 min de leitura


Se me perguntassem no início de 2025 como seria o ano para o comércio exterior brasileiro, eu diria que seria um ano de ajustes. Hoje, olhando o cenário com mais clareza, posso afirmar: 2025 foi um ano de maturação estratégica para quem atua nos setores de têxtil, móveis, casa e decoração.


O comércio global avançou, mas em ritmo mais contido. As projeções apontaram crescimento em torno de 2,4% em 2025, com expectativa de desaceleração já em 2026. Esse contexto deixou um recado claro para as empresas brasileiras: não basta competir por preço. O mercado internacional passou a exigir consistência, confiabilidade, narrativa e valor agregado.


No setor têxtil, o Brasil mostrou fôlego. As exportações cresceram em volume ao longo de 2025, sinalizando retomada após anos de pressão. O mercado global de têxteis, estimado em mais de US$ 2 trilhões, segue impulsionado pelo e-commerce, pela diversificação de aplicações e pela demanda por produtos mais sustentáveis. Dentro desse universo, o home têxtil — cama, mesa, banho e tecidos — formam um mercado robusto, com faturamento global estimado em US$ 136 bilhões, com projeções de crescimento consistente até o fim da década.


Esse movimento dialoga diretamente com o mercado brasileiro. Mesmo em um cenário econômico mais cauteloso, o consumo ligado ao lar permanece resiliente. O segmento de têxteis para casa cresce de forma contínua, com destaque para a linha de cama, que concentra a maior fatia da demanda. Esse mercado interno funciona como uma base importante para testar coleções, ganhar escala e preparar a entrada em mercados internacionais.


Um ponto que considero estratégico é o algodão brasileiro. Em 2025, o País bateu recordes de exportação e se consolidou entre os maiores players globais. As projeções indicam que, em 2026, o Brasil pode responder por cerca de 33% do mercado mundial de algodão. Para quem atua com moda, isso representa muito mais do que volume: é origem, rastreabilidade e argumento de marca.


No setor moveleiro, o Brasil manteve presença relevante nas exportações de móveis de madeira, estofados e colchões — produtos diretamente ligados ao conceito de conforto e bem-estar. O mercado global de móveis movimenta centenas de bilhões de dólares por ano, e o diferencial brasileiro vem migrando do preço para o design, a versatilidade produtiva e a capacidade de atender nichos específicos.


Nesse processo, a presença brasileira em grandes feiras e eventos internacionais ao longo de 2025 foi decisiva. Empresas nacionais marcaram presença em agendas estratégicas na América Latina, Estados Unidos e Europa. Esses espaços não são apenas vitrines comerciais, mas ambientes de leitura de tendência, construção de relacionamento e fortalecimento da imagem do Brasil como fornecedor criativo e confiável. Quando essa presença é apoiada por programas estruturados de promoção e inteligência de mercado, ela se transforma em posicionamento e negócio.


É claro que 2025 também trouxe desafios. As tarifas impostas pelos Estados Unidos impactaram a competitividade de diversos produtos brasileiros, especialmente bens industriais e de maior valor agregado. Além disso, cadeias correlatas, como a do couro, enfrentaram forte pressão de preços. Esses movimentos reforçam a necessidade de diversificar mercados, sofisticar portfólio e reduzir dependências excessivas.


Olhando para 2026, não vejo um ano simples, mas vejo um ano possível. O comércio global tende a crescer menos, porém tendências como nearshoring e encurtamento das cadeias produtivas favorecem fornecedores das Américas. Há espaço para empresas que consigam unir design brasileiro, sustentabilidade real, inteligência de mercado e clareza estratégica.


2025 deixou um aprendizado importante: exportar exige mais do que produto — exige visão, posicionamento e preparo. Ou seja, o futuro do comércio exterior brasileiro passa menos pelo volume e mais pela capacidade de construir presença internacional consistente, com valor e propósito.

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